Na semana que passou fui ao Rio de Janeiro
aproveitar o Natal junto a uma parte da minha família
que mora lá. E em família de artistas os papos
são sempre sobre artistas e espetáculos. Meu irmão
e minha cunhada estão envolvidos em projetos distintos.
Ela no Rio de Janeiro e ele em São Paulo. O engraçado
desses dois projetos é que eles explicitam aquilo que
eu sempre acreditei que fosse a diferença crucial entre
as duas cidades em nível de criação teatral.
O Rio de Janeiro é o local onde você pode experimentar
as maiores loucuras sem compromisso com o estético ou
o financeiro, e em São Paulo você pode experimentar
o que quiser, desde que tenham o compromisso com o estético
e com o financeiro. Não que o projeto carioca não
seja interessante, muito pelo contrário. O problema é
que, diferentemente do que acontece com qualquer projeto paulista,
os atores não sabem quando, como e de que forma vão
receber pelo trabalho desenvolvido. Vale lembrar que ser ator
é uma profissão como ser padeiro, ser engenheiro
ou ser advogado e, nessas profissões que citei, duvido
que eles deixem de receber, mesmo que seja para ousarem num
estudo avançado de uma nova técnica. Em São
Paulo, como sempre, a idéia do financeiro existe, mas
às vezes de forma exagerada. Meu irmão está
no projeto de “Uma coisa muito louca”, com direção
do conceituadíssimo Roberto Lage. Uma peça que
fez algum sucesso na década de 80 e que recebe uma nova
roupagem aproveitando as novas tecnologias. Toda a peça
conta com a interpretação dos atores e com um
telão, e é nessa sincronia que está o segredo
do espetáculo e da direção. Para isso ser
realizado, como disse da parte financeira, muito dinheiro foi
gasto sem a certeza do retorno do capital investido. Mas isso
é São Paulo.
Voltando para a nossa realidade, na primeira semana de 2009
recomeçam em Ubatuba os ensaios de “Eram os Patugueses
Astronautas?!?” que fará uma temporada no auditório
da Fundart durante o verão, com apresentações
todas as segundas-feiras, às 21h. Em Caraguá continua
a todo vapor o Festival “Verão em Cartaz 2009”
que logo no começo do ano tem uma programação
intensa. Se você ainda não anotou, anote e não
perca:

9 e 10 de janeiro, sexta e sábado,
às 21h, no Teatro Mário Covas, “VIDAS DIVIDIDAS”,
com Henri Castelli, Antônia Fontenelle e Fernanda Vasconcellos.
23 e 24 de janeiro, sexta e sábado, às
21h, no Teatro Mario Covas, “CURTAS”, com
Samantha Schmütz (Juninho Play e Leonina Borges).
6 e 7 de fevereiro, sexta e sábado, às
21h, no Teatro Mario Covas – “D. GRAÇA, MAS
TEM QUE PAGAR”, com Fabíula Nascimento
e Katiuscia Canoro, a Lady Kate do Zorra Total.
Desejo a todos um feliz 2009, cheio de paz, alegrias, realizações
e ótimos espetáculos!