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Minha
primeira vez
Calma, Calma. Não vou contar aqui minha
primeira experiência sexual.
Não acho que seja muito interessante saber como foi a primeira
vez de um adolescente que ficou extremamente nervoso e mal sabia
o que fazer quando a primeira namorada topou a transa.
Se a coluna fosse sobre sexo, até que poderia ser contada
tal estória, mas como não é, falemos de musica.
Eu tinha 14 anos e morava no bairro do Jabaquara, e esse bairro,
ao menos naquela época, era a “Meca” das bandas
de rock de São Paulo.
Toda rua da redondeza onde eu morava, tinha uma banda, algumas
péssimas, algumas medias e boas, e uma ou duas, muito boas.
Eu adorava aquele ambiente, adorava aquelas pessoas, adorava falar
de musica com eles, todos pareciam gostar das coisas que eu gostava,
parecia que eu estava realmente no lugar certo.
Pois soubemos que a banda Chave do Sol iria tocar no Centro Cultural
do Jabaquara, isso quer dizer que eles tocariam na esquina da
minha casa.
Três horas antes eu, meus amigos e mais um punhado de “rockeiros”
já nos encontrávamos em frente ao local esperando
o show começar. As horas voam quando estamos fazendo o
que gostamos, assim sendo, depois que chegamos, apesar de termos
ficado 3 horas esperando, pra nós, não passou 15
minutos.
E o show começou, uau, era a primeira vez que assisti uma
banda tocar em cima de um palco com equipamento grande, luzes
de todas as cores, fumaça de gelo seco etc..., e meus olhos
não saiam do amplificador “Marshall” do guitarrista
que agora não lembro o nome. Lembro bem do nome do baixista
que era considerado por muitos, não só em São
Paulo, mas no Brasil todo, como um dos melhores contra-baixistas
de rock na época. Seu nome é Tigueis. Percebi que
todos falavam a verdade, o cara era incrivelmente rápido,
pesado e, bom.
Com certeza seu ídolo deveria ser o Geddy Lee da banda
canadense “Rush”, ele parecia uma copia do Lee, cabelo
comprido até a cintura, preto, liso, muito preto, muito
liso e, muito grande. Vestia-se igual também, e sua técnica
era exatamente a mesma que Lee sempre usou mas, o que importa
mesmo é que o cara tocava pra caramba, era demais vê-lo
“destruir” o baixo. O restante da banda era digamos
médio, de médio pra bom, coisa que também
pouco importava, o que queríamos era estar lá, ver
o show com todas as luzes, efeitos e atmosfera que um show de
rock tem.
Como disse, foi minha primeira vez num show, e consequentemente,
a primeira vez que queria estar num. Na hora em que a banda terminou
de tocar, falei ao meu amigo “Rato”, cara eu vou montar
uma banda. Queria montar uma banda e dentro da cabecinha de um
menino de 14 anos, aquele lugar que assistimos a Chave do sol,
era o lugar que eu também queria tocar, não pensei
num Madison Saque Garden de Nova York, ou num Filmore West de
Los Angeles, nem mesmo no Projeto S.P. onde as melhores bandas
de São Paulo tocava na época, eu queria era tocar
no Centro Cultural do Jabaquara. E toquei. Mas isso também
não vem ao caso, o que é bacana e o que quero dizer
é que um show de rock pode mudar uma vida, desde o momento
que assisti aquela show, sabia que a musica e o rock iria fazer
parte da minha vida, pra sempre, e fez, e faz.
Abraços para os amigos, beijos para as amigas!!! |