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Como estará Angra dos Reis daqui a sete anos?

Pergunta difícil de responder essa do título do texto? Temo que não.
Bem, abramos um parênteses para um intrigante relato do problema de Angra dos Reis:
"Este ano, com o início do período chuvoso, a região de Angra dos Reis encontra-se debaixo d'água, já registrando dezenas de mortes (...)
É verdade que a topografia local, com a presença de muitos morros, somada à ocupação desordenada de terrenos e ao desmatamento das encostas pela própria população, contribui diretamente para essas ocorrências. E quando ocorrem as enchentes e contabilizam-se as vidas humanas perdidas, começa-se também a promessa de liberação de recursos, aparece a Defesa Civil para interditar áreas e tomar outras providências, enquanto o correto seria proibir e evitar que áreas de risco continuem a ser ocupadas sob qualquer pretexto (...)
... diante de uma tragédia dessa ordem não cabe a discussão ou identificação de culpados, e, sim, a união de esforços para amenizar o sofrimento do povo e evitar efeitos catastróficos de ocorrências futuras.
Acena o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Integração Nacional, a possibilidade de liberar recursos para a recuperação dos danos em Angra dos Reis. Porém, faço aqui um apelo aos Governos Federal, Estadual e Municipal e às autoridades envolvidas, para que se umam no combate às enchentes em sua origem, e não apenas por ocasião das catástrofes, evitando, assim, que episódios como esse não se repitam a cada período chuvoso".
Fecho o parênteses agora, citando a fonte. Os trechos acima foram extraídos do discurso da deputada federal Almerinda de Carvalho.
Mas... Alto lá! Almerinda de Carvalho não consta na relação de deputados da Câmara!
Ah, sim! Vejo aqui que, após oito anos na Casa, não conseguiu se reeleger em 2006, tendo seu nome envolvido nas investigações sobre a máfia dos sanguessugas (em tempo: neste texto, especificamente, o problema dos sanguessugas não vem ao caso). Voltou para sua cidade natal, São João de Meriti, ocupando o cargo de presidente da Cruz Vermelha e, atualmente, o de secretária municipal de promoção social do município.
Então, expliquemos: esse discurso da então deputada federal Almerinda de Carvalho se deu em 12 de dezembro de 2002, portanto, há mais de sete anos. Mas as declarações passariam facilmente como sendo dos últimos dois dias, não é mesmo?
Mudo um pouco a pergunta do título: como estava Angra dos Reis sete anos atrás, ao que, de pronto, respondo: rigorosamente como está hoje, completamente relegada aos humores das intempéries climáticas (mais ou menos como o sistema elétrico nacional, segundo o ministro das Minas e Energia Edison Lobão, que atribuiu recente apagão nacional às forças da natureza).
Agora, como em 2002, não adianta vir botar a culpa na população, que, irresponsavelmente, instalou-se aos pés de encostas nada estáveis. É papel do poder público impedir que isso aconteça, mesmo que, para isso, seja necessário o emprego da força. Convenhamos, é melhor uma desapropriação forçada do que escavações à procura de corpos.
Contudo, enquanto as mazelas e omissões da incompetência administrativa continuarem sendo travestidas de (e atribuídas aos) humores meteorológicos, tragédias como a deste reveillon (e como aquela do fim de 2002) continuarão ocorrendo. E temo que a resposta ao título deste texto seja: rigorosamente como está hoje.

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